Objetivos e público alvo
O projeto fortalece a organização comunitária para garantir o reconhecimento oficial como povo tradicional e a regulamentação da extração artesanal de areia. A iniciativa promove a preservação da memória através de uma cartilha histórica e amplia a incidência política junto ao poder público. O público prioritário são os carroceiros e areeiros de Conselheiro Pena, com foco em lideranças negras e mulheres que protagonizam o ofício e a subsistência. O objetivo central é assegurar a permanência digna no território e a proteção dos saberes ancestrais contra a exclusão socioeconômica.
Contexto
No Vale do Rio Doce, a comunidade enfrenta os graves impactos do rompimento da barragem de Fundão, que inviabilizou a extração artesanal de areia. O território sofre com a perseguição institucional e o monopólio industrial, resultando em insegurança econômica e criminalização do ofício tradicional. A vulnerabilidade é agravada por barreiras de comunicação e altos índices de analfabetismo funcional, dificultando o acesso pleno à justiça e reparação. Diante da proibição do trabalho, os carroceiros resistem para manter vivo o vínculo histórico, espiritual e econômico com o território ribeirinho.
Sobre a Organização
A Associação dos Carroceiros de Conselheiro Pena, cujas raízes remontam ao início do século XX, é uma organização de base tradicional que preserva o saber secular dos areeiros no leste mineiro. Composta por 16 núcleos familiares e liderada por pessoas pretas e pardas, a associação atua na defesa da identidade cultural e resistência contra o apagamento histórico. O grupo mantém vivo o manejo sustentável do rio e a tração animal, enfrentando com solidariedade coletiva a invisibilidade. Com o apoio do Fundo Brasil, a organização fortalece sua estrutura para transformar a ancestralidade em ferramenta de incidência política e garantia de direitos.


























