Objetivos e público alvo
O projeto “Quilombo conversa com Quilombo” fortalece a auto-organização da ASQG para a defesa de direitos territoriais e a elaboração de protocolos de consulta livre, prévia e informada. A iniciativa promove encontros integrativos entre cinco comunidades quilombolas para troca de saberes bioculturais e estruturação de uma agenda coletiva de enfrentamento a violações. O público prioritário são as 90 pessoas associadas de Gesteira, com foco em lideranças femininas, jovens e idosos atingidos pela exclusão de políticas públicas. O benefício central é a estruturação da sede física e o fomento à rede de proteção contra o racismo ambiental no território.
Contexto
Localizada em Barra Longa (MG), a comunidade de Gesteira enfrenta os impactos sucessivos de enchentes históricas e do rompimento da barragem de Fundão, que inviabilizou a produção agrícola e fragmentou o tecido social. O território quilombola, reconhecido em 2024, sofre com a escassez de água potável, a negligência do poder público em serviços básicos e a pressão contínua da mineração. Persistem desafios críticos relacionados à demarcação de terras e à ausência de mecanismos jurídicos que garantam a autodeterminação frente a grandes empreendimentos. O projeto emerge como estratégia de resistência para recuperar a autonomia e proteger o patrimônio histórico e ambiental da bacia.
Sobre a Organização
Fundada recentemente em sua estrutura formal, mas com raízes profundas na resistência camponesa e quilombola, a ASQG é liderada majoritariamente por mulheres negras (90% da diretoria) comprometidas com a justiça social. A missão institucional foca na defesa dos direitos dos associados, no resgate da memória biocultural e no fortalecimento da economia solidária local. A associação atua de forma articulada com movimentos populares e redes agroecológicas, servindo como ponto de confluência para a construção do conhecimento tradicional. Com o apoio do Fundo Brasil, a ASQG busca consolidar sua autonomia institucional e estruturar as ferramentas políticas necessárias para a salvaguarda de seu território.


























