Objetivos e público alvo
O projeto visa fortalecer institucionalmente o Instituto e implementar o Observatório Egungun para mapear e proteger territórios sagrados frente a grandes empreendimentos na Ilha de Itaparica. A iniciativa foca na cartografia social georreferenciada de 30 terreiros e na formação de lideranças jovens para a defesa de direitos territoriais e religiosos. O público prioritário são jovens de comunidades tradicionais, lideranças de terreiros da tradição Egun, quilombolas e pescadores artesanais. O objetivo central é garantir a permanência dessas populações em suas terras ancestrais e a salvaguarda de seu patrimônio imaterial.
Contexto
A Ilha de Itaparica (BA) enfrenta uma forte pressão da especulação imobiliária e territorial, agravada pelo projeto de construção da Ponte Salvador-Itaparica. Populações tradicionais sofrem com o racismo ambiental, a profanação de sítios sagrados e a ausência de consulta prévia, livre e informada, conforme a Convenção 169 da OIT. A invisibilidade nos relatórios oficiais permite remoções forçadas e o apagamento de modos de vida tradicionais de matriz africana. O projeto surge para suprir a falta de dados oficiais, utilizando a memória e a cartografia social como ferramentas de resistência e proteção jurídica.
Sobre a Organização
Fundado em novembro de 2022 (com raízes históricas profundas na tradição Egun e atuação intensificada desde 2024), o Instituto da Memória Brasil Solo Ancestral atua na defesa da dignidade dos povos de terreiro. A organização é liderada por uma equipe intergeracional de negros e negras, incluindo anciãos (Mestres do Saber) e jovens ativistas. Sua missão é enfrentar o racismo religioso e territorial através da produção de dados, formação política e acolhimento psicossocial comunitário.


























