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Violência policial: Transformar o Luto em Luta

“O cano estourado teve conserto”

Essas foram as palavras de Joelma Andrade para o júri popular do caso de seu filho Mário, de 14 anos, morto por um policial embriagado em julho de 2016. A frase foi a resposta dada pela mãe ao escutar de uma autoridade que o que aconteceu com seu jovem filho era como “canos estourados da cidade”, um problema sem solução rápida [1].

Mulheres como Joelma precisam lidar não só com a dor da perda de seus filhos, mas também com muitos tipos de desrespeito. A morte de um jovem negro para a violência policial muitas vezes é tratada com descaso pela justiça. Uma pessoa negra é morta pela polícia a cada quatro horas em, pelo menos, seis estados brasileiros com capitais populosas:  Bahia, Ceará, Piauí, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo [2].

 

“Quando até quinze vezes mais civis do que policiais são mortos, isso sugere que a força letal pode ser empregada para fins além da proteção da vida.

CHEVIGNY, 1991.

 

A luta para mudar a realidade

O estado do Rio de Janeiro é o que mais apresenta homicídios de pessoas negras durante ações policiais. E é um dos lugares com mais grupos de mães que se organizam em busca de justiça por seus filhos mortos pela violência policial. Esses movimentos contam com ajuda psicológica, convocam atos de rua, cobram respostas de autoridades e lutam pelo direito à memória [3] – é muito comum que se tente criminalizar esses jovens assassinados depois de mortos.

A partir da convivência nesses grupos, as mães podem se fortalecer através da luta e do consolo uma para com a outra. Essa interação é de extrema importância para a saúde da mulher, já que muitas mães desenvolvem depressão após a perda de um filho, e acabam adoecendo física e emocionalmente. Muitas delas chegam à morte [4]. 

A pesquisa intitulada “Negro trauma, racismo e abordagem policial na cidade do Rio” mostra que 63% das abordagens policiais na cidade têm como alvo pessoas negras. Elas são  68% das pessoas abordadas andando a pé na rua ou na praia, enquanto 25% das pessoas brancas são paradas pela polícia nas mesmas circunstâncias. A diferença é visível, real e atinge também as mulheres negras que, com frequência, não conseguem dormir por se preocuparem com seus companheiros e filhos negros que correm risco concreto de não voltarem para casa. [5]

CPI do Assassinato de Jovens (CPIADJ) durante audiência pública interativa com a participação de convidados, para apresentação do relatório. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado.

 

O Fundo Brasil, por meio da sua doação, apoia mães que perderam seus filhos em casos de violência policial. A Rede de Mães e Familiares da Baixada Fluminense é um dos projetos apoiados. O coletivo foi criado após a Chacina da Baixada em 2005, episódio em que policiais assassinaram 29 pessoas e feriram outras duas nos municípios de Nova Iguaçu e Queimados. Outro exemplo é o Movimento Mães de Maio, criado em 2006 a partir do ocorrido em São Paulo, quando 564 pessoas foram mortas durante 10 dias em situações que indicam ação do poder estatal. 

Trabalhar para promover os direitos humanos é fundamental para que a sociedade possa criar novos caminhos e mudanças para o país. 

 

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Referências:

[1] 2021. Folha de São Paulo. Mães de luto formam uma rede contra a violência policial no Brasil.

[2] 2021. CNN. Violência policial no Brasil: uma pessoa negra é morta a cada quatro horas.

[3] 2021. Anuário Brasileiro de Segurança Pública. As mortes decorrentes de intervenção policial no Brasil em 2020

[4] 2015. Fundo Brasil. Movimento Mães de Maio cobra o fim dos extermínios nas periferias

[5] 2022. Brasil de Fato. Violência policial contra negros e racismo institucional pioram com crise no Brasil.

 

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