
Felipe Iruatã – Acervo Fundo Brasil
Foi durante uma greve de metroviários em São Paulo (SP) que o fotógrafo Felipe Iruatã clicou a foto que, mais de um ano depois, passaria a fazer parte do vídeo-manifesto “No Fundo, a gente sabe o que importa”, lançado em comemoração aos 20 anos do Fundo Brasil. Felipe estava na rua desde a madrugada, registrando a movimentação da cidade, quando deparou com a cena: uma aglomeração de trabalhadores na estação da Luz, uma das principais da capital paulista.
Nascido em Salvador, o fotojornalista é conhecido pelas imagens de forte cunho social. “Como fotógrafo negro, conhecendo as muitas violências que afetam nosso povo cortidianamente, acho importante estar na rua com a câmera, mostrando a realidade, denunciando violações”, diz ele, cujo portfólio inclui a cobertura de chacinas policiais e ações de reintegração de posse.
A foto feita naquela manhã paulistana acabou sendo publicada na capa de um jornal de circulação nacional. E foi inscrita no concurso fotográfico do Fundo Brasil. Só tempos depois, quando já circulava pelo mundo, é que alguém apontou a Felipe a semelhança entre a imagem e outra obra famosa: o quadro Operários, da modernista Tarsila do Amaral. A imagem retrata a diversidade dos trabalhadores urbanos, e dá pistas do quão duro pode ser o cotidiano de quem trabalha nas grandes cidades.
Já Ana Carolina Lino Costa diz que percebeu a beleza da própria foto ainda antes de fazer o clique. A imagem, registrada no quilombo kalunga – um dos maiores do país – mostra mulheres vestindo roupas típicas durante uma apresentação de dança. “Na cultura Kalunga, a acolhida se expressa em forma de dança. Na sussa, as mulheres da comunidade giram suas saias coloridas e transformam o momento em pertencimento e memória”, diz Ana. “Presenciar essas mulheres dançando no mesmo compasso foi um dos momentos mais emocionantes que vivi na comunidade. Sincronia, cores e tradição dançando juntas em celebração à sua história de força e resistência”.

Ana Carolina Lino Costa/ Acervo Fundo Brasil
Os trabalhos de Felipe e Ana são diversos quanto à temática. Mas se aproximam na capacidade de representar, com imensa beleza, diferentes aspectos da realidade social brasileira. Isso só é possível graças ao olhar afiado, à sensibilidade e, por que não, ao talento dos fotógrafos.
Era justamente essa sensibilidade que nós, da equipe de comunicação do Fundo Brasil, queríamos incorporar ao vídeo-manifesto que celebra os 20 anos de trabalho da instituição.
O filme foi concebido em parceria com a agência Giz, e deixa explícita a missão do Fundo Brasil: estar onde é preciso, fortalecendo quem defende direitos fundamentais. “Quando o mundo ameaça retroceder, alguém precisa garantir que o essencial permaneça”, narra a peça.
Para contar essa história, foram selecionadas 17 fotos que, na avaliação da equipe, retratam a diversidade da sociedade brasileira, a beleza e o dinamismo das organizações que lutam por justiça social no país.
São imagens que, além do forte componente político, carregam também grande beleza. Tal qual a luta em defesa dos direitos humanos. “A luta em defesa dos direitos humanos também pode ser bonita, também pode ser alegre. Ela é propositiva, e busca construir uma sociedade melhor para todos e todas. Nos 20 anos do Fundo Brasil, queremos lembrar o quanto é essencial imaginar, e construir, esses outros mundos possíveis”, diz Allyne Andrade e Silva, diretora executiva adjunta da instituição.
Todas as imagens fazem parte do acervo do Fundo Brasil. Elas chegaram à instituição ao ser inscritas no nosso concurso fotográfico: uma competição anual, já na sexta edição, e que se dedica a destacar imagens que representem o trabalho e as causas da sociedade civil organizada.
Para ganhar ainda mais dinamismo, foram animadas com o uso de uma inteligência artificial. A intervenção tecnológica não alterou as informações da foto original: as pessoas e cenários retratados seguem os mesmos. À máquina coube, simplesmente, acentuar a beleza captada pelo humano.
Abaixo, você encontra as fotos originais, sem edições. Além de Felipe e Ana, duas outras fotógrafas — Mariana Cabral e Ana Paula Talieri — aceitaram conversar com o Fundo Brasil a respeito de seus trabalhos. Os depoimentos acompanham as imagens.

Mariana Cabral/ Acervo Fundo Brasil
Mariana Cabral:
“A imagem integra um trabalho autoral de resgate e preservação cultural iniciado em 2020, cujo nome é Raiz de MarÉ.
Sua primeira edição foi em formato de fotolivro, e retrata a vida de 5 mulheres: Angelina Santos, Maria Rita dos Santos, Dulciene Costa, Maria Raimunda de Jesus e Eduarda Rodrigues: mães, marisqueiras de tradição, mestras da cultura popular e lideranças em suas comunidades. Em comum, encontram na arte da pesca e da mariscagem, o sentido do seu trabalho, o sustento de suas famílias, a relação com a natureza, a força pessoal e comunitária que precisam para ter seus direitos preservados. Seus corpos revelam histórias pessoais e trazem marcas de um trabalho que exige esforço e acarreta riscos, mas também são testemunho de amor e de dedicação a um lugar que as sustenta e permite a necessária autonomia financeira, para seguirem resistindo e desafiando a violência pessoal e dos empreendimentos que avançam sobre o mar e o mangue, sobre seus legados e seu território.
Em 2025, o mesmo projeto ganhou formato de documentário: ‘Raiz de MarÉ – De água a água’. O filme apresenta ao público experiências de mulheres negras e indígenas do território Tupinambá de Olivença, no Litoral Sul da Bahia.
Para acessar o fotolivro e o documentário, clique aqui: https://linktr.ee/marianacvcabral”

Ana Cláudia Talieri/ Acervo Fundo Brasil
Ana Cláudia Talieri:
“Meu projeto fotográfico nasceu do encontro com um jovem de 29 anos, na época em situação de rua, homossexual e vivendo com HIV, alguém cuja existência revela, de forma contundente, as múltiplas camadas de exclusão social. A motivação por trás das imagens foi dar visibilidade a uma realidade frequentemente marcada pelo abandono, pelo preconceito e pela negação de direitos básicos. Rafael, o jovem em questão, não foi mais visto nas ruas na cidade, tentei saber notícias atualizadas, e fui informada que ele se encontra internado em uma clínica de reabilitação. Porém no dia das fotos ele me deu autorização por escrito para usá-lo sua imagem.“

Monaiane Silva Sá/ Acervo Fundo Brasil

Thácio Coelho/ Acervo Fundo Brasil

Lucas de Godoy – jornal A Sirene/ Acervo Fundo Brasil

Lucianna Ferreira – Cedeca-CE / Acervo Fundo Brasil

Tânia Meinerz – A Fronteira / Acervo Fundo Brasil

Gustavo Aguirre/ Acervo Fundo Brasil

Danilo Santana/ Acervo Fundo Brasil

Danilo Santana/ Acervo Fundo Brasil

Danilo Santana/ Acervo Fundo Brasil

Antonio Mozeto/ Acervo Fundo Brasil

Bianca Taranti/ Acervo Fundo Brasil

Danilo Vital Marroco/ Acervo Fundo Brasil

Weverton Santos – Cooperação das Comunidades Quilombolas / Acervo Fundo Brasil




























