Em 2025, diante de urgências profundas e de oportunidades históricas, o Fundo Brasil reafirmou seu papel estratégico no fortalecimento da sociedade civil brasileira como parte fundamental do tecido democrático.
Na conversa que permeou o debate público do ano, afirmamos que justiça climática é um tema dos direitos humanos. Também destacamos que enfrentar o racismo segue sendo uma urgência. Lembramos que lutar por direitos no país é uma atividade de alto risco e é fundamental proteger ativistas.
Os acontecimentos recentes provaram mais uma vez a relevância do nosso trabalho. Mulheres continuam ameaçadas por violências estruturais. Periferias e favelas são violadas por uma guerra injusta para a população. O direito de povos indígenas, comunidades tradicionais e quilombolas aos seus territórios está sempre por um fio. E é preciso garantir condições humanamente viáveis de trabalho para todas as pessoas.
Diante desse cenário, atuamos para garantir que organizações, coletivos e grupos de base estivessem presentes nos espaços decisivos do debate público em 2025. Assim, encerramos o ano com a certeza da força da nossa missão e com resultados expressivos de um trabalho voltado a fortalecer essas organizações nas cidades, no campo, nas florestas e águas e nas áreas mais remotas.
Os 19 anos de atuação do Fundo Brasil somam apoios a mais de 2,2 mil projetos com doações de mais de R$126 milhões. Além dos recursos financeiros, oferecemos acompanhamento técnico e oportunidades de aprendizado, troca de experiências e articulação. Nós confiamos nas organizações que apoiamos, valorizamos sua autonomia e dedicamos nossos esforços para que realizem o que propõem com o maior impacto positivo possível.
Um ano de grandes encontros
Por falar em articulação, este foi um ano de oportunidades mais do que relevantes para a incidência da sociedade civil organizada em temas estruturantes do nosso tempo. Uma frente muito importante do trabalho do Fundo Brasil em 2025 foi garantir recursos e o apoio de nossa equipe para a presença e a participação forte de centenas de grupos de base nesses espaços. Desta forma, puderam levar as demandas e as propostas de seus territórios para serem debatidas em momentos decisivos da vida brasileira.
Foi assim na COP 30, a conferência climática da ONU, onde a Cúpula dos Povos ecoou as vozes de movimentos sociais e de mais de 1 mil coletivos, e que recebeu doações de nossas iniciativas Raízes, de justiça climática para povos indígenas e comunidades tradicionais, e do Labora, fundo voltado a promover o trabalho digno e a transição justa. Ainda na COP 30, a Casa Sul Global foi um espaço para afirmar o papel estratégico da filantropia independente do Sul Global, influenciar fluxos de recursos e fortalecer soluções climáticas locais na América Latina, África e Ásia. O Fundo Brasil foi uma das organizações que colaborou na construção da Casa.
Também foi assim na Marcha das Mulheres Negras, para a qual doamos recursos que ajudaram dezenas de organizações de mulheres a irem até Brasília para marchar por reparação e bem viver, para propor políticas públicas e caminhos de justiça racial e de gênero. Ainda destinamos recursos a organizações de povos indígenas para participação no Acampamento Terra Livre, a maior mobilização nacional desses povos, onde se luta por demarcação de terra, meio ambiente saudável e manutenção dos modos de vida conectados com a natureza.
Realizamos, em São Paulo, um encontro com mais de 140 organizações apoiadas nos nossos editais. As lideranças compartilharam aprendizados e estratégias, mostrando que, quando organizações de base se conectam, colaborações se iniciam, redes se fortalecem, soluções emergem e a defesa dos direitos pode avançar com mais impacto.
Mais de 20 editais ativos
Ao longo de 2025, nossa equipe manteve ativos 22 editais, o que demonstra, mais uma vez, nossa capacidade de fazer a gestão eficiente e transparente de um grande volume de recursos. Encerramos o ano com mais de 380 projetos em andamento em diversas áreas dos direitos humanos.
Também seguiu ativa a nossa parceria com a CONAQ, maior coalizão de organizações quilombolas do país, em um projeto voltado a avançar a titulação de terras no Amapá, no Amazonas e no Maranhão.
Houve, ainda, dezenas de doações para mobilização e participação política. Além da atenção a pedidos emergenciais, entre os quais vale destacar a doação e a campanha de captação para que uma organização do Rio de Janeiro pudesse fazer o atendimento emergencial a famílias dos complexos do Alemão e da Penha. O Fundo Brasil mantém há dez anos um programa estruturado e único, que apoia organizações e atores essenciais para pensar e promover mudanças no sistema de justiça e segurança pública no país.
Terminamos 2025 lançando mais três editais, para que grupos e coletivos de base possam retomar suas atividades, em janeiro, captando novos recursos para a continuidade de seu trabalho. O Edital Geral 2026 é uma homenagem a Rose Marie Muraro, uma das instituidoras do Fundo Brasil e liderança feminista fundamental na historia do país. Tem o nome de Fortalecendo Direitos e Gestando um Mundo Novo, em homenagem ao título de um dos livros de Rose Marie.
Todo este trabalho se torna possível – e ajuda a gestar um mundo novo – também pelo esforço da enorme rede que caminha com o Fundo Brasil: ativistas que nos enviam seus projetos, organizações que atuam incansavelmente nas bases da sociedade, onde a vida realmente acontece, pessoas doadoras que sonham como a gente e investem na transformação social, parcerias na filantropia que ajudam o Fundo Brasil a seguir adiante, cada vez mais forte.
A partir desta sexta-feira, 19 de dezembro, e até 4 de janeiro, estaremos em recesso de fim de ano. Durante este período, você pode continuar se informando sobre o nosso trabalho por meio dos nossos canais: site, Instagram, LinkedIn, YouTube e Facebook.
Em 2026, o Fundo Brasil de Direitos Humanos completa 20 anos. Um marco para esta fundação, que foi idealizada e criada por ativistas, e, portanto, para os direitos humanos no país. Teremos muitas novidades e histórias a contar. Continue com a gente.
Muito obrigada.
Ana Valéria Araújo
Diretora executiva
Allyne Andrade
Diretora executiva adjunta
Gislene Aniceto
Gerente geral













































