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Doadoras e doadores do Fundo Brasil debatem motivações e desafios à contribuição individual

Em café da manhã na sede da fundação, grupo conversou sobre importância de apoiar a sociedade civil

08 novembro 2019

- por Fundo Brasil de Direitos Humanos -

Fazer o bem de forma abrangente, potencializando as transformações de longo prazo trazidas pela atuação de organizações e coletivos da sociedade civil é a ideia que motiva um grupo de nove pessoas a fazerem doações mensais ao Fundo Brasil. Na terça-feira, 5 de novembro, sete doadoras e dois doadores participaram de um café da manhã na sede da fundação, em São Paulo.

Foi a primeira recepção deste tipo realizada pelo Fundo Brasil. O evento teve o objetivo de ouvir sugestões, críticas e opiniões de pessoas que conhecem o trabalho do Fundo e que, portanto, podem contribuir para aprimorá-lo. “Pensamos neste encontro como uma conversa entre pessoas amigas”, disse a Superintendente Ana Valéria Araújo. 

Ana Valéria Araújo, Superintendente do Fundo Brasil, dá as boas-vindas. Foto: Airan Albino/Fundo Brasil

Na fala de boas-vindas, a gerente de Relacionamento com a Sociedade, Débora Borges, lembrou que o Fundo Brasil constrói pontes entre doadoras/es e pessoas e organizações que precisam dos recursos para realizar suas atividades de defesa de direitos humanos. 

“Eu sugiro que o Fundo Brasil compartilhe com a gente parte essa responsabilidade. Nós poderíamos, por exemplo, convidar uma pessoa conhecida para momentos como este café da manhã, para saberem mais”, sugeriu a doadora Silvia Zanotti Magalhães. 

Terlúcia Silva, da Bamidelê – Organização de Mulheres Negras da Paraíba, que já foi apoiada em cinco editais entre 2009 e 2016 -, veio de João Pessoa para conversar com as convidadas e convidados. “O Fundo Brasil é muito importante na nossa trajetória. Ao aprovar um projeto em edital, o Fundo Brasil expressa confiança no trabalho da Bamidelê, valida nossa atuação e nos apresenta também para outros financiadores”, disse Terlúcia.

Ela destacou o efeito de longo prazo que os apoios tiveram na Bamidelê, criada em 2001. “Ao olhar para a trajetória, começamos com um projeto de afirmação da identidade negra, uma campanha para que as mulheres paraibanas afirmassem sua negritude no Censo de 2010. Hoje vemos boa parte daquelas jovens na universidade e atuando em espaços que historicamente não são destinados a elas. Avançamos para a atuação no âmbito da educação, com projetos de fortalecimento da juventude negra contra o genocídio”, disse.

Terlúcia Silva (à esq.), da Bamidelê. Foto: Airan Albino/Fundo Brasil

O projeto mais recente da Bamidelê apoiado pelo Fundo Brasil, “Iyè Dúdú – um conto por uma educação antirracista”, visava contribuir para a implantação da Lei 10.639/03, que determina o ensino de história e cultura afro-brasileiras em todas as escolas do país. As ações incluíram formações voltadas aos docentes, entre outras. “Foram seis unidades incluídas no projeto, e vários docentes ainda perguntam quando Iyè Dúdú chegará às suas escolas”, contou Terlúcia. 

“Tudo isso com um total de R$ 155 mil, somados os cinco apoios. Olha quanta coisa se faz com R$ 155 mil”, disse. 

Desafios. Aumentar a base de doadores individuais é imprescindível para que o Fundo Brasil possa ampliar sua capacidade de apoiar organizações e coletivos da sociedade civil. Este desafio foi um tema da conversa entre as convidadas e convidados. “Muita gente quer fazer o bem de forma mais abrangente, ir além de doar itens específicos como cadeiras de rodas, por exemplo. O Fundo Brasil tem o desafio de nos ajudar a explicar esse trabalho tão necessário para estas pessoas”, disse a doadora Nina Kahn. 

Pedro Telles perguntou sobre as mudanças nas formas de organização da sociedade que o Fundo Brasil observou ao longo de 13 anos de atuação, com a experiência de conhecer e receber projetos de grupos do país inteiro. ”Tem muita coisa nova acontecendo”, respondeu Ana Valéria Araújo, Superintendente do Fundo Brasil. “Há uma proliferação de coletivos, fóruns, são vários os formatos e os nomes desses grupos que ampliaram a organização da sociedade brasileira.”

Ela lembrou ainda que o Fundo Brasil apoia inclusive grupos que não têm CNPJ, que ainda não se institucionalizaram. “Isso nos torna referência e capazes de conhecer muito antes essas novidades”, analisou. 

Doadoras/es e equipe de projetos. Foto: Airan Albino/ Fundo Brasil

Provocada pela doadora Maria Virgínia de Freitas a analisar as mudanças recentes na cultura de doação no Brasil, Débora Borges lembrou que os brasileiros têm, sim, essa cultura. Historicamente, são comuns no país as doações para igrejas, que sobrevivem delas. A população brasileira também doa para ações emergenciais como distribuição de refeições, por exemplo. 

“As pessoas com quem convivo doam para emergências, como incêndio na Amazônia”, destacou a doadora Regina Lúcia Freitas dos Santos. “Meu desafio no diálogo é construir um discurso sem direita e esquerda, sem polarizações desse tipo”, disse. 

A doadora Isabel Pato concordou que “é preciso pensar em formas mais efetivas de comunicar o impacto social das doações destinadas à incidência política”. Também participaram do café da manhã Celso Gottsfritz, Giovanna Gundim e Marília Cauduro Ponte.

Priscila Novaes e Raíssa Silva, do Kitanda das Minas Afrobuffet, cuidaram da gastronomia. Foto: Airan Albino/Fundo Brasil

 

Materiais produzidos pela Bamidelê. Foto Airan Albino/Fundo Brasil

 

Assessor de mídias digitais Airan Albino apresenta votação popular do concurso fotográfico. Foto: Mônica Nobrega/Fundo Brasil

 

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