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Imagem de liderança indígena do Xingu vence concurso do Fundo Brasil

Foto que mostra Anna Terra Yawalapiti em protesto em Brasília foi a mais votada em consulta popular que teve quase 10 mil interações

18 novembro 2019

- por Fundo Brasil de Direitos Humanos -

A organização Levante Popular da Juventude foi a vencedora do Prêmio Fotográfico “Combater os Retrocessos: Existir e Resistir à Retirada de Direitos”. O concurso é promovido pelo Fundo Brasil para incentivar o uso da fotografia na luta pela defesa de direitos. A imagem “O Silêncio da Terra”, do fotógrafo Matheus Alves, recebeu o maior número de menções em votação popular. Mostra Anna Terra Yawalapiti, liderança indígena do Xingu, pedindo o fim da repressão policial durante manifestação do Acampamento Terra Livre, em Brasília (DF).

Em segundo lugar ficou a Articulação dos Movimentos e Comunidades do Centro Antigo de Salvador, com foto que mostra um ato-cortejo. Em terceiro, outra imagem da realidade indígena no país, enviada pelo Najup (MS).

Matheus Alves/Levante Popular da Juventude (SP/DF)

A foto vencedora obteve 2.488 votos, de um total de 3.330 formulários de votação preenchidos. Cada formulário dava direito a votar em 3 imagens diferentes. Desta forma, um total de 9.990 votos, distribuídos entre 10 imagens, foram contabilizados na consulta popular, que ocorreu de 8 a 18 de novembro. 

Os 2.488 votos recebidos pelo Levante Popular da Juventude significam que a imagem foi votada por 75% de quem se inscreveu – cadastro e votação eram feitos por meio de um formulário simples. Em números absolutos, um em cada quatro votos foram dados à imagem vencedora.

“A foto repercutiu no mundo inteiro pela força do momento, pela expressão dela e, principalmente, pelo contexto histórico que o Brasil vem passando nos últimos quatro anos”, comenta Matheus no vídeo gravado como apresentação de seu registro.

O Levante Popular da Juventude foi apoiado no edital do Fundo Brasil “Violência contra a juventude”, de 2016.

Matheus Tanajura / Articulação de Movimentos e Comunidades do Centro Antigo de Salvador (BA)

Segundo lugar: resgate de Maria Felipa. O segundo lugar ficou com a imagem “Com linhas pretas costuro memórias de um passado presente”, da Articulação dos Movimentos e Comunidades do Centro Antigo de Salvador, feita pelo fotógrafo Matheus Tanajura durante um ato-cortejo do coletivo. A foto teve 1.257 votos, que equivalem a 38% do total de cadastros e 13% dos votos.

Na imagem, a militante do Movimento dos Sem Teto da Bahia, Roseane Souza, resgata a figura de Maria Felipa de Oliveira, guerreira marisqueira da Ilha de Itaparica, símbolo de força e resistência nas guerras de independência da Bahia, no século 19.

“O que eu senti interpretando ela foi praticamente um desafio de estar interpretando uma potência, uma mulher que é potência, uma guerreira, uma ancestral. Então, foi muito gratificante para mim”, relatou Roseane sobre a experiência.

A Articulação do Centro Antigo de Salvador foi apoiada pelo Fundo Brasil no edital “Jornalismo Investigativo e Direitos Humanos”, de 2017.

Terceiro lugar: contra a criminalização de lideranças indígenas. Com 1.091 votos, o Núcleo de Defesa e Assessoria Jurídica Popular de Mato Grosso do Sul (Najup-MS) fica com a terceira colocação. Representando 33% das inscrições e 11% dos votos, “Criminalização das lideranças indígenas”, de Erick Terena, fala sobre a crescente onda de encarceramento dos povos indígenas.

Erick Terena/Núcleo de defesa e assessoria jurídica popular de Mato Grosso do Sul

A imagem mostra uma liderança indígena atrás das grades em um contexto urbano, fora de sua aldeia, em uma mobilização ativa pela defesa de seus direitos. Um número significativo de indígenas encarcerados vai parar no sistema penitenciário brasileiro em desacordo com seus direitos e garantias fundamentais, como a presença de intérpretes nos procedimentos legais.

“Nossas lideranças indígenas muitas vezes se encontram em cárcere privado, por falta de informação e, também, porque seus direitos não foram cumpridos. Direito a território, direito à intérprete e outros direitos”, disse Erick.

O Najup-MS é apoiado pelo Fundo Brasil no edital Litigância Estratégica, de 2017.

Outros finalistas
As demais organizações que chegaram à última etapa do concurso também tiveram boa votação e destaque em suas regiões. Por ter uma foto sua indicada entre as 10 finalistas, a fotógrafa Indi Gouveia, do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA-NM), foi personagem de reportagem do jornal O Norte de Minas. Tânia Meinerz, da agência A Fronteira, também finalista, foi destaque no Coletiva.net. O CAA-NM teve 1.029 votos, 31% das inscrições e 10% na votação. A Fronteira fez 894 votos, 27% dos cadastros e 9% da votação.

Na sequência ficaram Rayane Penha (26%), Marco Zero Conteúdo (24%), Centro Popular de Direitos Humanos (19%), Pastoral Carcerária Nacional (18%) e Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Ramo do Vestuário de Sorocaba e Região (10%). Os porcentuais se referem ao total de votos (superior ao total de inscrições de votantes). 

Conheça as 10 fotografias finalistas do concurso Combater os Retrocessos.

O concurso
O Prêmio Fotográfico “Combater os Retrocessos”, realizado pelo Fundo Brasil em parceria com a Fundação Tide Setúbal, tem o objetivo de destacar a diversidade, a força das lutas e reforçar a importância das imagens como ferramentas para a promoção de direitos.

Foram recebidas 101 fotos das cinco regiões do país. As imagens passaram por uma triagem, realizada com a participação da consultora Ana Maria Wilheim, que selecionou 48 delas. Após a triagem, as imagens foram analisadas por um comitê de especialistas formado pela fotógrafa Alice Vergueiro, pelo fotógrafo Sérgio Silva e pelo cineasta Marcelo Rodriguez. O comitê escolheu as dez fotos que participaram de votação popular, realizada por meio de um formulário do Google.

As três imagens mais votadas serão premiadas com equipamentos fotográficos.

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