
Crédito: Marcos Jadir de Souza / Acervo Fundo Brasil
Muita gente pensa que, se não é possível doar uma quantia alta, talvez seja melhor nem contribuir. Afinal, o que uma doação de R$ 20, R$ 30 ou R$ 50 pode fazer diante dos desafios enfrentados por uma organização?
Sozinha, talvez pareça pouco. Mas a lógica muda quando muitas pessoas contribuem regularmente.
Uma contribuição mensal de pequeno valor, somada à de centenas de outras pessoas, pode se transformar em um recurso importante para manter uma organização funcionando. Para além de financiar uma atividade específica, as doações recorrentes ajudam a garantir previsibilidade financeira, permitindo que as organizações mantenham equipes, estruturas e atividades e tenham mais segurança para planejar suas ações.
A conta é simples: o valor individual pode ser pequeno, mas o conjunto produz outro resultado.
Se 100 pessoas doarem R$ 20 por mês, são R$ 2 mil mensais. Ao longo de um ano, chegam a R$ 24 mil. O mesmo acontece com valores maiores ou menores. O que importa não é apenas quanto cada pessoa consegue doar, mas a capacidade de reunir diferentes contribuições em torno de uma causa.
O que uma doação ajuda a manter?
Quando pensamos em uma organização da sociedade civil, é comum associarmos o recurso a uma atividade visível: uma oficina, um atendimento, uma campanha ou a distribuição de alimentos. Mas, para que essas ações aconteçam, existe uma estrutura por trás delas.
São profissionais que precisam ser remunerados, espaços que precisam ser mantidos, contas que precisam ser pagas, equipamentos, comunicação, transporte, contabilidade e uma série de outros custos que nem sempre aparecem quando falamos sobre o trabalho realizado.
Ter recursos próprios e previsíveis ajuda as organizações a manter essa estrutura e a não depender exclusivamente de projetos pontuais ou de novos financiamentos para continuar funcionando.
Isso também pode significar mais autonomia. Uma organização que tem uma base de pessoas apoiadoras consegue contar com uma fonte de recursos que não está necessariamente vinculada a um edital específico ou a uma atividade determinada.
E essa capacidade faz diferença especialmente quando surgem situações inesperadas. Em momentos de crise ou de emergência, organizações que já possuem estrutura e recursos podem responder com mais rapidez às necessidades de seus territórios.
Pequenas contribuições ajudam a construir uma sede

Foto: Arquivo Coletiva Resistência Lésbica da Maré
A história da Coletiva Resistência Lésbica da Maré, no Rio de Janeiro, mostra como a mobilização de recursos pode contribuir para fortalecer uma organização.
Fundada em 2017, no Complexo da Maré, por cinco lésbicas, quatro delas mulheres negras, a Coletiva atua na organização de lésbicas em torno da luta pelo acesso a direitos humanos nas favelas cariocas. Seu trabalho tem como foco o combate ao racismo, ao machismo e à lesbotransfobia e a construção de um espaço voltado às mulheridades.
Foto: Acervo Coletiva Resistência Lésbica da Maré
Entre 2022 e 2025, a organização realizou mais de 180 acolhimentos psicológicos presenciais. As mulheres negras representaram 80% desse público. Além do suporte psicológico, realizado de forma presencial e online, a Coletiva também distribuiu cestas básicas.
Naquele período, surgiu um sonho: ter uma sede própria, um espaço para acolher e fortalecer mulheres lésbicas, bissexuais e trans.
Foi durante uma oficina de captação de recursos promovida pelo Fundo Brasil, em um Encontro de Projetos, que a Coletiva conheceu diferentes estratégias para mobilizar recursos. Uma delas foi a mala direta, que consiste no envio de cartas com pedidos de doação voluntária, com sugestões de valores que podem ser adaptados de acordo com a possibilidade de cada pessoa.
A estratégia ajudou a organização a arrecadar recursos para a compra de móveis e a estruturar o novo espaço. Com as doações e o apoio do Fundo Brasil, em 2025, a Coletiva conseguiu quitar a Casa Resistências, que passou a ser sua sede.
A conquista de um espaço próprio não aconteceu a partir de uma única grande contribuição. Ela faz parte de um processo de mobilização de recursos e de construção de autonomia que permite à organização ampliar e sustentar seu trabalho.
Conheça o processo que levou a Coletiva Resistência Lésbica da Maré a conquistar sua sede própria.
Como doar?
No Fundo Brasil, é possível doar de forma recorrente e viabilizar a continuidade de outros projetos como este.
Um dos meios utilizados para que pessoas físicas apoiem os direitos humanos é o Programa Nota Fiscal Paulista. O cadastro é feito uma só vez e torna você um doador recorrente, sem gastar além do que costuma. O valor é referente a parte do ICMS pago pelo produto adquirido e qualquer compra feita pode render uma doação.
Quando doado, o valor pode ser multiplicado por até 20 vezes em comparação ao que o sistema geraria de retorno para o consumidor. Em 2021, o Fundo Brasil chegou à marca de R$ 1 milhão arrecadados por meio da Nota Fiscal Paulista. Essa quantia é suficiente para apoiar 25 projetos.
Além da Nota Fiscal, também é possível contribuir de forma direta, através do formulário. Nele, é possível escolher quanto doar todo mês ou, ainda, como doar de forma única.
Saiba mais >> Como apoiar




























