
Allyne Andrade e Cássio França discutiram como a filantropia pode aproximar recursos de quem constrói soluções nos territórios. Foto: Mônica Nóbrega/ Acervo Fundo Brasil
A responsabilidade social das empresas se tornou agenda global e exigência de mercado. Nesse contexto, a filantropia pode ser uma parceira estratégica para impulsionar o crescimento e o fortalecimento do próprio ecossistema onde os negócios prosperam.
Este foi o debate trazido pelo painel “Filantropia como estratégia de negócio: quem se beneficia”, na terça-feira, 11 de agosto, como parte da programação do SP2B, megaevento de inovação e negócios na cidade de São Paulo. Com Allyne Andrade, diretora executiva do Fundo Brasil de Direitos Humanos, e Cássio França, secretário geral do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), a conversa abordou o papel da filantropia para garantir que o capital de impacto das empresas alcance seus objetivos.
Segundo os palestrantes, evoluir de um modelo de investimentos pontuais para resultados estruturais demanda parcerias mais estratégicas. Parcerias duradouras e que se valem das experiências de apoio a causas construídas pelas organizações filantrópicas ampliam o impacto dos investimentos destinados à agenda ESG das empresas.
Ao explicar o papel da filantropia de justiça social e socioambiental nesse sentido, Allyne Andrade destacou a mudança de paradigma como fator fundamental para os benefícios que a parceria pode render para todos os envolvidos. “A mudança de paradigma que essa filantropia propõe consiste em compreender que pessoas, comunidades e territórios afetados por escassez material e escassez de direitos também desenvolvem soluções para esses problemas”, disse a diretora executiva do Fundo Brasil.
No contato cotidiano com os desafios, essa base da sociedade desenvolve adaptações e soluções. São inovações nascidas da experiência cotidiana, testadas, e que só precisam de apoio para prosperar e, em muitos casos, ganhar escala.
Allyne lembrou que o Fundo Brasil está completando 20 anos, período em que mobilizou R$ 140 milhões de reais que foram destinados a mais de 2,3 mil iniciativas em todas as regiões, Estados e territórios no Brasil. Inclusive as áreas mais remotas, aonde o investimento destinado a causas sociais não consegue chegar.
“Isso é resultado de uma experiência muito sólida de diálogo contínuo com grupos e coletivos de base, bem como com organizações de médio e grande porte que fazem o trabalho de articular essas atuações pontuais em redes mais amplas, que multiplicam impactos”, disse Allyne Andrade. “Não é fácil construir e manter relações de confiança nos territórios e é exatamente isso que o Fundo Brasil sabe fazer, faz há 20 anos. É por isso que conseguimos fazer os recursos chegarem a essa base, a esses territórios, e cumprirem seus objetivos.”
Cultura de doação

“É, acima de tudo, uma forma de participar da criação do futuro”, destacou Allyne Andrade ao falar sobre o papel da filantropia, em pinel do SP2B. Foto: Mônica Nóbrega/ Acervo Fundo Brasil
Cássio França, secretário geral do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE) afirmou que o Brasil precisa fortalecer uma cultura de doação e a compreensão coletiva de que doar, apoiar causas sociais de forma contínua, é uma forma de se responsabilizar pela busca de soluções para os problemas do país.
“[As empresas brasileiras] precisam doar mais e também falar sobre isso para engajar seus pares”, afirmou, lembrando que pesquisas sobre cultura de doação no Brasil mostram que o sentimento de responsabilidade coletiva é o principal motor das doações individuais. Uma lógica que precisa ser absorvida pelo setor empresarial.
Ele também lembrou que doar não é “coisa só de rico”, nem uma responsabilidade apenas de empresas grandes. Essa participação, segundo os painelistas, independe da quantidade de recursos financeiros disponíveis, já que todo valor faz diferença.
No caso do Fundo Brasil de Direitos Humanos, há modelos de parceria que contemplam pessoas jurídicas de diferentes portes. Para pequenas e médias empresas, é possível, por exemplo, atrelar a doação às vendas, doando uma pequena parte do que consumidores pagam por um produto ou serviço.
“Sabemos que o ato de apoiar causas sociais, de participar do fortalecimento de uma comunidade beneficia a reputação, a marca, cria conexões mais genuínas com consumidores e toda a cadeia produtiva. Mas é, acima de tudo, uma forma de participar da criação do futuro, um compromisso com as soluções, com a inovação, com o desenvolvimento do nosso país”, disse Allyne Andrade.
Infraestrutura de impacto
A filantropia de justiça social e socioambiental é um ativo na participação cidadã das empresas.
“A mensagem principal é que já existe a infraestrutura para mobilizar esses recursos, para garantir que o capital de impacto chegue aonde a empresa quer que ele chegue. Esses recursos bem aplicados realmente fomentam soluções para o Brasil”, disse Allyne.
“O Fundo Brasil quer ampliar essa conversa com as empresas, com as pessoas físicas, com os pequenos e médios empreendedores. Queremos também aprender, fazer isso juntos”, finalizou.




























